Últimos preparativos: casa, comida, energia, iluminação, eletrônicos, etc.

   

A data da partida se aproxima e o blog ficou meio abandonado. A verdade é que se eu parar pra pensar, não foi tão difícil o planejamento, eu é que fui me preparando lentamente, comprava uma coisa aqui, outra ali, conforme a conveniência do momento. Assim pesou menos no bolso também. Ou diluiu no tempo e não pareceu tanto. Resumo aqui alguns últimos comentários sobre a preparação. Talvez eu ainda faça uma lista completa de tudo o que estou levando.

A Light In The Black

Não faz parte dos meus planos pedalar à noite. Especialmente no verão austral da Patagônia e Terra do Fogo, em que a luz do dia pode persistir até 9 ou 10 da noite. Por outro lado eu goste de acordar bem cedo para evitar o sol, no máximo vou pedalar no lusco fusco do amanhecer. Ainda assim, para eventual emergência, vou com um sistema refletivo e de iluminação bem interessante.

Nada disso é muito fácil ou barato no Brasil, mas eu tive a sorte de ter amigos que vinham do exterior e trouxeram pra mim por um preço bem mais acessível, antes do câmbio subir demais. Um cubo dínamo da Shimano na roda dianteira, modelo DH-T780, vai me garantir energia suficiente para alimentar um farol dianteiro AXA Nano 50 Plus (50 lumens) e traseiro AXA Riff Steady. Não vou depender de pilhas, baterias, nada disso. Além disso, o farol dianteiro tem uma saída USB para que durante o dia a energia gerada possa ser carregada em algum dispositivo com porta USB (mp3 player, celular, kindle ou bateria externa). Não é que gere uma energia enorme, mas garante o suficiente para eu não ficar sem poder ouvir um som ou ler um pouco antes de dormir caso não encontre um lugar com rede elétrica no caminho. Energia renovável e instantânea. Come macarrão, pedala, gera luz. Simples assim.

Além da luz vermelha traseira do Riff Steady, ainda tenho uma luz na parte traseira do capacete. No mais, todos os alforges e a mochila têm refletores dianteiro e traseiro. Por fim, os pneus têm banda refletiva nos dois lados, de forma que qualquer luz que bata em mim, vindo de qualquer direção, será refletida e serei perfeitamente visível na estrada, mesmo com luminosidade baixa.

   

Killing Technology

Para a minha idéia inicial estou levando muita porcaria eletrônica, mas acho que tudo vai ser útil. Um mp3 player surrado de 8GB (não dá pra ficar tanto tempo sem música), um leitor de ebooks (o bom é que é leve e a bateria dura muito). Meu smartphone mini, simples e já meio surradinho. Um tablet simples de 7″ que minha mãe tinha parado e me emprestou pra viagem (valeu mãe!). Vou poder ter acesso a aplicativos de mapas, telefonar, usar wifi nas cidades para me comunicar, etc. O tablet ainda tem a vantagem de me permitir tomar notas diárias sem ter que arcar com o peso e o volume de um computador, além de facilitar a visualização de mapas online e offline, já que a tela do meu celular é muito pequena).

Para registro em fotos e vídeo estou levando uma câmera de ação com 3 baterias e uma câmera fotográfica boa (mas não profissional) com 3 baterias e duas lentes, uma de 18-50mm e outra de ângulo mais aberto e 22mm. A mesma câmera que usei na viagem de São Paulo a Piçarras em 2013 e ao Monte Roraima em 2014. Como não vou levar computador, consegui que outra amiga trouxesse de fora (nem tanto pelo preço, que não era tão alto, mas pela dificuldade em achar por aqui) um HD externo de 2TB que copia os arquivos diretamente do cartão de memória, e pode ser controlado via wifi do celular, o que vai facilitar bastante meus backups.

Nesse aspecto só me falta uma régua/extensão bivolt em que eu possa ligar todos os carregadores ao mesmo tempo e dar conta de ter energia suficiente com apenas uma tomada elétrica disponível, seja num camping, posto de gasolina ou onde for possível. Isso também vai me facilitar a vida quanto aos padrões de plugues eléticos, já que vou precisar apenas de um plugue/adaptador em cada país.

Heavy Load II

Complementando o post sobre como vou carregar meu equipamento, comprei uma mochila estanque Montana, de 40 L. Ela vai no topo do bagageiro traseiro, apoiada sobre o isolante térmico e os alforges traseiros. Nela vão o saco de dormir, um liner (espécie de lençol para saco de dormir) e a barraca (esta, somente nos dias em que eu a embalar totalmente seca). A princípio exagerei no tamanho da mochila, podia ser uma menor para caber esses itens. Por outro lado, fico com um espaço extra para carregar água e comida para as etapas da viagem em que vou ficar entre 2 e 4 dias sem contato com a civilização. Outra vantagem é que, se eu resolver fazer uma trilha a pé, ou precisar deixar a bicicleta em algum lugar e fazer uma viagem de ônibus, tenho uma mochila para levar o essencial. Os alforges não são mochilas, têm apenas alças laterais, nada confortáveis. Eu havia mencionado a hipótese de uma bolsa de selim ou de quadro para as ferramentas, mas decidi organizar ferramentas, kit gambiarra (silvertape, abraçadeiras, canivete, etc) e peças sobressalentes (corrente, parafusos, cabos) nos bolsos laterais dos alforges traseiros. São de fácil acesso, acho que vai funcionar bem.

Casa e comida (não sei muito sobre roupa lavada)

A minha intenção é acampar o máximo possível, seja em camping particular, camping municipal (comuns na Argentina e no Chile), camping dos parques nacionais em que entrar, no quintal de alguma pessoa hospitaleira que queira me receber ou atrás de posto de gasolina, ou mesmo algum lugar de beira de estrada (mas fora de vista, se possível). Hotel/hostel só naqueles dias em que eu estiver precisando muito de um banho quente e de uma cama. Para isso vou levar comigo tudo o que preciso para morar e comer nesses 6 meses de nomadismo.

Trilhas e Rumos Cota 2: barraca funciona assim, quando o fabricante diz que cabem 2 pessoas, cabe uma pessoa e sua bagagem, nada mais. Essa barraca eu já tenho, mas nunca usei. Quem usou foram o Juninho e o Brian naquela viagem a Piçarras, em 2013. Os dois são altos, não sei como couberam ali. Pelo que andei pesquisando ela é resistente ao vento por conta do seu projeto em que as duas varetas estruturais se cruzam duas vezes, ao contrário dos iglus comuns em que as varetas se cruzam apenas uma vez. Por outro lado ela é um pouco mais pesada do que o desejável. Na verdade eu estou indo com ela porque é a que eu já tenho e se quebrar ou rasgar de alguma forma que a inutilize eu simplesmente vou comprar alguma onde estiver. Os preços de uma barraca superior à minha não estão convidativos no Brasil, e pra comprar outra parecida mas apenas um pouco melhor, eu prefiro esperar até realmente precisar.

Isolante térmico Quechua, saco de dormir Deuter Orbit -5º e liner Thermolite® Reactor Extreme: O isolante térmico é um desses baratos e comuns aluminizados que se vendem no Brasil, não tem muito o que falar. É provável que se deteriore durante a viagem e eu tenha que descolar outro, vamos ver, tomara que não. O saco de dormir e o liner eu comprei da loja dos pedarilhos André e Ana. Pra quem não conhece, o liner é uma espécie de saco/lençol pra por dentro do saco de dormir. Ele ajuda a manter o saco de dormir limpo, é mais fácil de ser lavado e ainda melhora o desempenho do saco de dormir. Esse saco que eu comprei é bastante quente e acho que vou ficar fora dele boa parte do tempo, dormindo só com o liner. Segundo a propaganda dos fabricantes, juntando o saco e o liner, dormirei com conforto até -14º celsius, com desconforto até -20º e sobreviverei mesmo se fizer -37º. Nessa época do ano, é improvável que eu precise disso tudo. E mesmo se algo assim acontecer, tenho roupas de frio pra complementar.

Vou cozinhar em um fogareiro multicombustível MSR Whisperlite International, que funciona com benzina, gasolina ou até mesmo querosene, nessa ordem de preferência. Por conta da facilidade, provavelmente usarei gasolina o tempo todo. A benzina não é muito fácil de encontrar, e o querosene é sujo, gera fuligem demais. Levarei duas panelas com cabo removível, de alumínio, da Quechua, uma leiteirinha pequena para fazer um chá ou café, um pequeno escorredor de macarrão, uma caneca de plástico, pote hermético (marmita), garfo, faca de corte, tábua de corte de plástico bem leve, abridor de latas e colher de pau. Para levar os temperos eu comprei uns tubinhos de plástico que parecem ser resistentes e têm uma tampa razoável. Todo esse material vai ter que caber em um alforge dianteiro, dividido internamente em sacos plásticos grossos, pra evitar que caso algo vaze não contamine o resto, especialmente a gasolina do fogareiro.

Para iluminação no acampamento eu levarei uma lanterna de cabeça Black Diamond de 35 lumens e uma lanterna compacta de mão, de bateria recarregável, com a mesma potência. Ambas são resistentes à água e têm regulagem de foco e função de luz intermitente.

Posso ter esquecido uma ou outra coisa, talvez eu ainda publique uma lista com tudo o que eu vou levar, inclusive vestuário. Mas de forma geral, a preparação está encerrada e o negócio é ver no dia a dia o que está dando certo, o que vai ter que ser enviado pra casa ou o que está faltando e vai ter que ser adquirido no caminho.

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4 pensamentos sobre “Últimos preparativos: casa, comida, energia, iluminação, eletrônicos, etc.

  1. Obrigado, Luiz! Vou partir direto de Piçarras, que é onde terminei a outra viagem. Mas, na verdade, são 6 meses para ir e voltar até Santiago, então não é taaaanto tempo assim, mas dá pra aproveitar legal.

    Abraço!

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