Heavy Load


Sem letra específica dessa vez, só um mais uma banda que me veio à cabeça, com uma belíssima arte gráfica, como todos podem ver.

No feriado de páscoa eu aproveitei pra finalizar meu sistema de bagagem. Na verdade ainda falta testar tudo junto, mas tudo indica que dará certo. Minha escolha foi a mais comum: bagageiros dianteiro e traseiro, com 2 alforges em cada, mais barraca na parte superior do bagageiro traseiro e uma bolsa de guidão. Isso já deve ser suficiente para levar toda a tralha. Mais espaço é desculpa para carregar mais peso e coisas que a gente acha que são necessárias, mas nas subidas mais íngremes essa interpretação vai mudando. Vamos então aos detalhes.

O bagageiro dianteiro é um Zefal de alumínio. Comprei num lote de peças do camarada Artur Vieira, que já fez parte dessa viagem com o mesmo bagageiro. Ou seja, eu posso até me perder, mas o bagageiro sabe o caminho. Acho que a peça foi pensada para fixar em uma suspensão, e eu estou usando garfo rígido. Como a suspensão é mais larga que o garfo rígido, precisei fazer uma instalação com espaçadores e parafusos longos (dica do próprio Artur), para afastar um pouco o bagageiro do garfo e alinhar corretamente.

A intenção era usar apenas parafuso para chave allen, para levar o mínimo de ferramentas possível. Acontece que fui em 3 casas de parafusos e não consegui. Os parafusos de cabeça allen, a partir de certo tamanho, só têm meia rosca, o que é insuficiente. Consegui, numa casa de parafusos na Av. Rio Branco, parafusos philips na medida necessária para instalar com os espaçadores, atravessar a rosca do garfo e ainda fixar com uma contraporca pelo outro lado. Como espaçadores usei porcas com uma medida mínima a mais que a rosca do parafuso. Foi importante conseguir tudo em inox, para minimizar os efeitos da exposição às chuvas, maresia, e outros banhos involuntários.

Se por um lado vou ter que acrescentar uma chave (peso) ao meu kit de ferramentas, por outro foi uma vantagem usar o parafuso philips: ele tem a cabeça chata em comparação ao allen. A cabeça do parafuso allen ficaria para fora do bagageiro e tocaria o alforge, o que poderia resultar num desgaste prematuro com a trepidação do cotidiano da estrada.

Pra encerrar o assunto dos parafusos, para quem estiver em São Paulo, não recomendo a casa de parafusos da Rua Florêncio de Abreu, onde todos os atendentes são uns caras mal educados, que agem como se estivessem te fazendo um grande favor em vender parafusos. Por outro lado, na loja da Av. Rio Branco todas as atendentes são mulheres gentis e que atendem todo mundo com educação e presteza, apesar do grande movimento na pequena loja.

O bagageiro traseiro, até para honrar o “faça você mesmo” ali em cima, eu optei por customizar. Decidi não usar um de alumínio na parte traseira porque ali vai mais peso e, assim como no caso de quadro/garfo, é mais fácil de soldar se quebrar no caso das ligas de aço. Acontece que bagageiros de aço normalmente são modelos simples do mercado popular e não exatamente prontos para o uso de alforges e luz traseira. Seguindo uma inspiração do Confins Austrais (que também coincide com grande parte do meu roteiro, embora o cara seja uma máquina e tenha realizado na metade do tempo) e também no Antigão, comprei dois bagageiros simples e baratos, de aço, com tubos finos e maciços. Levei num cara que faz boas soldas.

Não foi fácil achar bagageiros iguais aos que o Antigão usou, os que comprei vinham em 3 partes. Conversei com o cara, expliquei o que queria e ele ainda me ajudou a melhorar a idéia. Fez as soldas em uma tarde e a instalação ficou perfeita, inclusive com uma plaquinha para instalar o farol traseiro. Não foi barato (foi mais barato que comprar um bom bagageiro de alumínio), mas sei que foi um trabalho bem feito.

Se eu fosse fazer novamente, tentaria deixar o bagageiro mais baixo um pouco, ainda que com espaço suficiente para passar os paralamas. Da forma como ficou está ok, mas o centro de gravidade da bicicleta vai ficar um pouco mais alto. Como eu não vou por muito peso na parte superior do bagageiro (mas sim nos alforges laterais), não será um problema. Para arrematar vou precisar de uns parafusos bem curtos, porque na fixação baixa o parafuso longo pode tocar a corrente e o cassete se for muito grande. Lá no Mão Na Roda eu consegui ajuda para serrar e esmerilhar uns parafusos um pouco grandes, mas quero comprar mais alguns no tamanho certo para ter de reserva.

Alforges eu optei por comprar os impermeáveis da Ortlieb, que é a marca mais conhecida do mundo no segmento. Tive a chance de compra-los por um bom preço, pois alguns amigos da banda internacional (mas principalmente americana) Conquest For Death vieram tocar no Brasil e toparam trazer minha encomenda. Com essa ajuda, paguei pouco mais do que o valor de equivalentes nacionais – que também são bons e dariam conta, mas com menos praticidade. Todos os 4 alforges são impermeáveis (não precisam de capa de chuva), funcionam como sacos estanques que se acoplam aos bagageiros.

Os alforges traseiros são do modelo Bike Packer Plus, que oferece cerca de 40L de volume total. Eles têm algumas divisões internas, que podem facilitar a organização das coisas, mas talvez representem uma redução do volume real de bagagem em relação ao modelo que não tem divisões internas – só o uso na prática vai dizer. Esse modelo fecha com dois tridentes verticais. Os dianteiros são do Front-Roller Plus, que oferece cerca de 25L de volume total. Esse não tem divisões internas e fecha como um saco estanque, enrolado por cima – me parece ser mais resistente à água justamente por isso.

A bolsa de guidão é a única peça nessa categoria que escolhi de fábrica nacional. É uma bolsa do modelo Photo 11L, da Arara Una. Pra quem não conhece essa marca é do pessoal por trás do Clube de Cicloturismo do Brasil, bem como da loja online Cicloturismo.com.br. São pessoas fundamentais no desenvolvimento dessa modalidade de viagem aqui no Brasil. Escolhi essa bolsa porque vou levar um material de fotografia que consiste em uma câmera, duas lentes e uma câmera de ação, e essa bolsa tem algumas divisórias que vão facilitar a organização e proteção desse material.

Ela tem ainda um bolso frontal bem espaçoso, onde posso guardar documentos, dinheiro, etc, além de um porta mapas que vai por cima de tudo, com plástico transparente, como de praxe nas boas bolsas de guidão. Além disso é a maior do mercado nacional (e talvez mundial?). Ela se transforma numa pochete, que a Lena (meu amor) acha o acessório mais estiloso do mundo. O material não é impermeável, mas é robusto e resistente à água, além de acompanhar uma uma capa de chuva – essa sim impermeável, é claro.

Essa bolsa de guidão tem um suporte em aço inox, que passa por baixo da mesa/avanço e abraça o guidão por cima. É apenas encaixado, mas fica bem firme ao mesmo tempo que tem um certo amortecimento (pela leve flexibilidade) quando se passa em buracos – o que protege o equipamento. Pela configuração da minha bicicleta (mesa bem curta, guidão drop), precisei mandar algumas fotos e medidas para eles confeccionarem o suporte correto. Recomendo o contato, eles são bem atenciosos. Quando o material chegou o meu suporte não encaixou perfeitamente. Entrei no Skype com o Rodrigo, que me deu a dica de como deveria abrir um pouco o ângulo (na força mesmo) para fazer o encaixe perfeito. Fui mais uma vez no Mão Na Roda para aproveitar a morsa e modelar o suporte com facilidade. Lá ainda tive a ajuda para usar um pedaço de fita de guidão emborrachada dessas mais baratinhas para enrolar no suporte e evitar o atrito que arranharia todo o guidão.

É possível que, apenas para fins de organização, eu adote uma bolsa de selim ou de quadro apenas para as ferramentas, mas ainda não tenho certeza.

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