Mão Na Roda ensinando novamente.

Semana passada instalei os cabos e conduítes, bem como os freios e câmbios dianteiro e traseiro. Tentei aproveitar os suportes guia de cabo soldados no quadro, o que acabou não se revelando uma boa opção. Também instalei provisoriamente as rodas da Caloi 100 que tive por muitos anos e depois dei para uma amiga. Peguei emprestadas as rodas para um teste rápido, já que ela não estava usando muito a bicicleta. Queria instalar na roda traseira o cassete novo, para que a relação de marchas fosse toda nova e começasse a rodar junta. Posteriormente, com as rodas definitivas, eu continuaria usando esse mesmo cassete, possibilitando assim o desgaste proporcional e o revezamento de correntes para maior durabilidade – método que os Pedarilhos explicam em seu site. Acontece que eu não conseguia soltar o cassete velho de forma alguma, acabei deixando pra resolver isso depois lá no Mão Na Roda, já que também precisaria de ajuda na hora de instalar a corrente e definir o tamanho adequado.

Também instalei os bar-end shifters, passadores que se prendem nas pontas do guidão, por dentro do tubo. Funcionam na base da fricção e o traseiro tem a opção ser também indexado. A fricção é aquele tipo de câmbio mais rústico e simples, em que você vai puxando ou empurrando a alavanca até a corrente se alinhar perfeitamente com o pinhão ou coroa desejados, o ciclista percebe a posição ideal pela pedalada mais suave e pelo som emitido pelas peças. O câmbio indexado é aquele em que você dá um toque na alavanca e ela pula desce ou sobe um degrau, com um som de “click”. Se o sistema estiver bem regulado, a corrente pula para a marcha desejada sem maiores preocupações, é uma forma mais automática, em oposição à fricção que é mais orgânica e exige mais sensibilidade, sendo ainda um pouco mais lenta. Como eu não tenho pressa e sei que a fricção é mais fácil de regular, acho que esse tipo de alavanca foi uma boa opção: caso falhe o sistema indexado traseiro, mudo com facilidade para fricção e sigo viagem.

Por fim, posicionei os cabos provisoriamente com fita isolante e abraçadeiras “enforca-gato”, cujo nome oficial muito pouca gente usa: abraçadeiras de hellerman. Essas abraçadeiras aliás, serão levadas comigo na viagem, como parte do “kit gambiarra” que qualquer ciclista viajante precisa ter. Os freios são v-break, com manetes Tektro RL-520, uma das poucas alavancas para guidão drop que acionam esse tipo de freio. Nunca tinha instalado freios partindo do zero, então me enrolei um pouco na hora de estabelecer a medida exata do cabo e do conduíte que usaria, mas consegui regular mais ou menos.

Assim, na terça feira, dia de Mão Na Roda, parti rumo ao Centro Cultural São Paulo, na Rua Vergueiro, onde contei com a ajuda dos voluntários pra sacar algumas coisas:

1) Catraca Vs. Cassete: Aquilo que está na roda da Caloi 100 não é um cassete, mas sim uma catraca. Não seria possível trocar pelo cassete que fará parte da minha relação, o sistema de encaixe é diferente. Basicamente, a diferença é que a catraca já vem com roda livre em peça única e ambas são rosqueadas no cubo traseiro. É um sistema mais antigo e cada vez menos utilizado, já que quando é preciso trocar os pinhões traseiros (seja por desgaste ou para mudar a relação de marchas), acaba sendo necessário trocar a roda livre junto, muitas vezes sem necessidade. Além disso, hoje em dia as peças produzidas nesse sistema são de menor qualidade. Já o cassete é apenas o conjunto de rodas dentadas que se encaixam nas estrias da roda livre que faz parte do cubo traseiro. São de melhor qualidade e frequentemente mais leves. Como não é possível encaixar meu cassete em um cubo feito para catracas de rosca, vou ter que esperar mais uns dias até montar as rodas definitivas e finalmente poder rodar por aí. Ficou confuso? Está melhor explicado aqui.

2) Cabos, conduítes, cantilever center pull e direct pull: Eu não estava conseguindo regular o freio muito bem. Já estava achando que a tal Tektro RL-520 não era tão eficiente assim com o v-break. Na verdade eu tinha alguns problemas na instalação. O primeiro foi que, ao tentar aproveitar o suporte de conduíte/cabo existente no top tube, cortei o conduíte em dois e isso estava gerando uma resistência desnecessária no cabo. O segundo foi que no freio traseiro estava aproveitando o suporte de conduíte/cabo existente abaixo do encaixe do selim, que mudava a direção do cabo para o centro do freio, sendo mais adequado para os freios do tipo cantilever com puxada central (center pull). Os v-breaks têm uma puxada lateral, chamada de direct pull, e o cabo deve fazer uma certa curva para entrar com um ângulo adequado e acionar corretamente os braços do freio. O terceiro problema foi que o cabo/conduíte do freio dianteiro estava longo demais, impedindo uma puxada eficiente a partir dos manetes. Isso ocorreu porque eu estava com medo de instalar um cabo tão curto que fosse acionado ao fazer uma curva com a bicicleta. Exagerei na precaução. Corrigidos os 3 problemas, tenho um sistema de freios já bem eficiente e em pleno funcionamento. Mais sobre freios pode ser lido no site do Sheldon Brown.

3) Pedivela de 175mm e quadro com centro de gravidade baixo demais: Quando, ainda em casa, tirei a bicicleta do suporte de manutenção para o chão, tomei um susto. Teria eu comprado um quadro de criança? Estava baixa demais! Pensei mais friamente e vi que não, meu susto tem dois motivos. O primeiro é que tanto na bicicleta em que eu viajava quanto na que eu rodo diariamente, uso rodas 700cc, de maior diâmetro, que elevam o centro de gravidade da bicicleta. O segundo é que o meu quadro é de uma bicicleta mountain bike dos anos 90, quando o padrão eram rodas 26″ (que estou usando), um centro de gravidade baixo e pedivela de 170mm. O pedivela que instalei tem 175mm, o que pode aumentar o risco do pedal bater no chão em caso de buracos ou curvas em locais íngremes. Por outro lado, 5mm é uma diferença quase irrisória nesse sentido, afinal de contas não vou ficar medindo se um buraco é 5mm mais profundo ou mais raso antes de passar por ele. Mudaria mais em termos de performance na pedalada, de ser mais de giro ou mais de força, mas aí é outra história.

4) Jogo na caixa de direção over: Na outra vez que fui ao Mão Na Roda, instalei a caixa de direção. Depois, em casa, instalei espaçadores da espiga do garfo, mesa e guidão. Ainda assim, ficou um certo jogo na caixa de direção. O Nick, que é um dos voluntários mais solícitos do Mão Na Roda, me mostrou o erro. No sistema aheadset, a mesa é presa no garfo através de parafusos allen que apertam a espiga na lateral. Acima da espiga vai a tampa da caixa de direção, que é parafusada no encaixe estrela que vai dentro da espiga. Esse parafuso, ao puxar a estrela (e portanto todo o garfo), comprime o conjunto de espaçadores e caixa de direção, impedindo a folga. Acontece que eu havia instalado apenas a quantidade de espaçadores necessária para que a mesa ficasse no topo da espiga. Havia uma sobra de alguns mm de espiga para cima da mesa. Dessa forma a tampa da caixa de direção é apertada contra a espiga sem conseguir puxar todo os conjunto de espaçadores e caixa de direção. O que eu não tinha sacado era que precisaria de mais um espaçador, que ultrapassasse um pouco a espiga e permitisse que o parafuso ao puxar o garfo, trouxesse junto todo o sistema, eliminando folgas.

No momento, não há muito o que fazer para terminar a bicicleta. Estou esperando até o mês que vem, quando um amigo vai trazer de fora um cubo especial que encomendei – a única forma de conseguir um cubo dínamo num preço acessível. Vou falar mais sobre as rodas e o cubo dínamo em outra oportunidade. Até lá, não posso montar as rodas e não dá pra instalar o cassete e a corrente. O jeito é aguardar.

 

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s