Confie em seu mecânico.

Trust your mechanic
To make you well
You’re seeing an awful lot of him now
The quicker he makes your life fall apart
The more money you put in his pockets

Trust your mechanic
To plug your holes
Trust him to make more
Somewhere else
Trust your mechanic
He’ll always come through
And rip you off

(Dead Kennedys – Trust Your Mechanic)

———

Bom, comecei a montar a bicicleta com as peças descritas no post anterior e logo achei dois problemas que relato abaixo.

1) A mesa que veio junto com o quadro é pequena para o guidão que comprei, que tem um diãmetro bem maior. Não tem muito o que fazer, vou ter que procurar uma outra mesa compatível.

2) O movimento central foi instalado no quadro, sem muito segredo. Tanto o eixo em si, quanto o lado que é só um encaixe, têm roscas que para apertar e entrar no quadro giram em sentido anti-horário. Após instalada a peça observei algo de estranho, não tinha harmonia com o quadro. Olhei de diversos ângulos e demorei pra entender.

Encaixei a pedivela do lado direito (a que tem as coroas) e, visualizando a bike de trás para frente, ficou nítido que os chainstays desse quadro são estreitos (ou melhor, que a distância entre eles é pequena) e talvez não seja um quadro ideal para 9v. Mas não parecia ser só isso. Peguei a roda de outra bicicleta com cassete de 9v e instalei no quadro, a incompatibilidade seria clara, mas não com o cassete de 9v. O alinhamento das coroa dianteiras com os cassete traseiro é que seria desastroso ou impossível. A corrente ficaria extremamente torta, o que resultaria no desgaste precoce e na impossibilidade de regular adequadamente o câmbio da bicicleta.

Fui então pesquisar sobre tamanhos de movimento central e descobri que existe essa coisa chamada chainline, que temos que observar na hora de escolher as peças. É a teoria que eu tinha que entender para evitar o desastre prático que acabava de observar. Sobre esse assunto, recomendo o artigo do Sheldon Brown. Não posso dizer que entendi tudo, mas deu uma boa noção do que preciso medir para chegar num resultado adequado.

Traduzindo livremente (qualquer correção é bem vinda) um pequeno trecho introdutório:

A palavra “chainline” refere-se a quão reta a corrente circula entre o pinhão e a coroa. Idealmente, as duas rodas dentadas devem estar no mesmo plano, de modo que não exista qualquer movimento para o lado ou torção da corrente. Isso constitui a “chainline perfeita”.

No caso de uma bicicleta com câmbio externo (esse mais comum, ao contrário dos cubos de marcha interna), a chainline não é perfeita na maioria das marchas. Uma chainline desalinhada pode forçar a corrente contra o lado exterior de uma coroa maior quando usado com uma menor, e pode causar problemas com a mudança de marchas, especialmente com o câmbio dianteiro. Quanto pior a chainline, pior o rendimento mecânico da relação de marchas, embora a pesquisa tenha mostrado que a perda seja menor com as correntes mais modernas e flexíveis.

Seguindo algumas dicas daquele artigo, tirei medidas da bicicleta e concluí que precisaria diminuir o tamanho do eixo. Segundo o texto, para uma relação de marchas de mountain bike tripla (como a que estou usando), o ideal é que a medida da chainline dianteira tenha entre 47,5 e 50,00 mm – conforme padrão da Shimano, medido pela coroa do meio. Essa medida deve ser a distância entre o meio do seat tube (o tubo do quadro onde é encaixado o canote de selim) e o centro dos dentes da coroa do meio.

Com o movimento central de eixo de 126 mm eu tinha uma medida de aproximadamente 58,5 mm. Eu precisaria tirar 8,5 mm apenas do lado direito do eixo (o lado das coroas). Para isso, eu precisaria de um movimento central com eixo de 17 mm a menos, ou seja um de 109 mm. Pesquisei os movimentos centrais que me serviriam (no padrão octalink, com rolamentos selados) e descobri que o menor disponível no mercado é de 113 mm. Com essa medida de eixo eu cheguarei a uma chainline de aproximadamente 52 mm.

Traduzindo livremente mais um pequeno trecho do artigo do Sheldon Brown:

Em uma mountain bike, a coroa menor é usada com muito mais frequência [que em bicicletas de estrada], e muitas vezes acaba sendo usada com pinhões menores para evitar ter que mudar a marcha enquanto se aplica força na relação. Para mountain bike, uma coroa em posição mais externa é muitas vezes preferível. A chainline também pode precisar ser mais para a direita para abrir espaço para um pneu mais largo.

Tendo em mente esse trecho, tendo a apostar que esses 2 mm que sobraram na minha medida da chainline dianteira não vão ser de grande prejuízo, em especial porque não busco a performance de competidores. Para minimizar o desgaste precoce da corrente, tenho esperança de conseguir compensar no cassete/cubo/eixo traseiro essa diferença, mas ainda não sei muito bem como e nem se é possível. Pra isso terei que estudar o segundo capítulo dessa matéria.

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