Carnaval: correremos para as montanhas, para as florestas, pra onde der.

Via de regra, se o negócio envolve multidão de gente eu já tenho uma certa preguiça. Isso vale até para show de banda que eu gosto. O último show de estádio que vi foi um do Iron Maiden no Morumbi. Vi nada, ouvi e assisti no telão. Quando o Eddie entrava no palco eu me esforçava nos pulos pra ver alguma coisa. Enfim, o carnaval tá aí e eu pretendo estar longe.

No ano passado a Lena me alertou para umas promoções de passagens aéreas para vários destinos, bem para essa época do ano. Foi logo depois que nós voltamos da praia para essa massa disforme chamada São Paulo, já estávamos a fim de pular fora outra vez.  “There’s gotta be a better place / So lets get on the move / Lets go lets go lets go lets go away“. Olhando as opções, ou eram caras ou carnavalescas demais. Na lista de destinos o único lugar que não parecia favorável às hordas do carnaval era Boa Vista – RR. Isso mesmo, a capital de Roraima.

Não sei o que tem lá de especial e talvez nem chegue a saber. O plano é pousar no aeroporto e já dar no pé em direção a Pacaraima e depois cruzar a fronteira com a Venezuela, chegando a Santa Elena de Uairén. Em Santa Elena entraremos em contato com o Marco, da agência Extremo Ancestral, que nos levará de carro até a aldeia indígena de Paratepui, e dali em diante nos guiará numa caminhada/escalaminhada de 8 dias e 7 noites até o Monte Roraima e de volta. Isso mesmo, dessa vez a bicicleta fica em casa.

O lugar promete ter paisagens incríveis e uma variação climática grande. Sol, nuvens, calor, frio e chuva, pegaremos de tudo. Se sobrevivermos e se o equipamento sobreviver, vou tentar trazer umas fotos legais pra postar aqui. A Lena certamente vai fazer fotos ótimas e eu posto aqui o link dela.

Segue abaixo a lista do que estou levando na mochila. Não tenho muita experiência nisso, estou meio com medo de exagerar no peso e ao mesmo tempo esquecer algo importante.

Equipamento para o Monte Roraima: Não é o melhor, mas é o que deu pra a gente descolar.

Equipamento para o Monte Roraima: Não é o melhor, mas é o que deu pra a gente descolar. A Matilde bem que queria ir, mas não tá cabendo na mochila.

Para dormir: 

– Isolante térmico (Meio vagabondz, mas é o que tenho. Vou compensar o frio usando mais roupas, se precisar)

– Saco de dormir (vai operar meio no limite do frio lá no alto, mas novamente vou compensar com mais roupas)

Para vestir e calçar:

– Camiseta de algodão do Zero Zero, meu pijama oficial de viagens

– Camiseta do Wipers pra usar no avião e nos momentos de descanso e não perder o espírito punk diante de tanta roupa técnica e feia que vou listar mais abaixo.

– Camiseta drifit manga curta

– Camiseta drifit manga longa (uma aí que promete não feder muito após dias de uso sem lavar)

– Blusa fleece manga longa

– Segunda pele manga longa

– Calça de frio

– Calça tactel (pra viagem e descanso)

– 2 shorts drifit

– Luvas

– 5 pares de meias. São 2 pra usar por baixo das outras 3 durante as caminhadas. Essas 2 são 100% sintéticas, pra evitar atrito e acúmulo de umidade próximo à pele. A idéia é evitar bolhas após longas caminhadas, vamos ver se funciona.

– 4 cuecas de material sintético, sem costuras laterais. Não incomoda, não acumula umidade, seca rápido.

– gorro

– boné feioso estilo legionário, pra proteger o pescoço do sol (dedicado ao Afrojapa)

– Poncho/capa de chuva

– Tênis de trilha, velho e confortável.

– Papete de trilha, pra atravessar rios e tomar chuva sem molhar o tênis.

Higiene e farmácia:

– sabonete

– protetor solar

– pasta e escova de dentes

– fio dental

– esparadrapo, gaze e vaselina (contra bolhas nos pés)

– lenços umedecidos (banho vai ser um negócio meio precário)

– papel higiênico

– antigripal

– hidrosteril (para beber águas duvidosas)

– antinflamatório

– Tiger Balm

Para beber e comer durante a trilha:

– Garrafa de água

– Frutas secas e castanhas

Elétricos e eletrônicos:

– Lanterna de cabeça (3 pilhas AAA)

– Ipod (não sei ainda)

– Câmera fotográfica (com 3 baterias, lente wide 20 e lente com zoom 18-55)

Outros:

– Passaporte (opcional)

– RG

– Dinheiro

– Comprovante de vacinação internacional contra Febre Amarela (opcional)

– Óculos de grau

– Óculos escuros

– 3 sacos estanques de 5L 3,5L e 2L respectivamente.

– Mochila 40 litros, com capa de chuva.

– Mochila 80 litros, com capa de chuva. (essa vai ser levada pela equipe com coisas minhas e da Lena que só serão usadas no acampamento).

Enquanto vocês – os 2 ou 3 leitores que passam por aqui às vezes – aguardam por notícias, recomendo que ouçam o LP de estréia do Rakta e corram para a floresta. É a banda esquisita de umas amigas aqui de São Paulo. Elas têm sido muito elogiadas nos subsolos do submundo.

Até março!

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3 pensamentos sobre “Carnaval: correremos para as montanhas, para as florestas, pra onde der.

  1. A primeira vez que ouvi falar desta caminhada foi em um livro que li recentemente, da Amanda Lindhout, chamado “A Casa do Céu”. Amanda era viajante, do mundo. A viagem ao MR foi no início. Ela adorou. As brabeiras vieram depois…

  2. Um pouco de poesia em nossa língua, só pra variar:

    SONHO DE UMA TERÇA-FEIRA GORDA

    Eu estava contigo. Os nossos dominós eram negros, e negras
    eram as nossas máscaras.
    Íamos, por entre a turba, com solenidade,
    Bem conscientes do nosso ar lúgubre
    Tão contrastado pelo sentimento de felicidade
    Que nos penetrava. Um lento, suave júbilo
    Que nos penetrava… Que nos penetrava como uma espada de fogo…
    Como a espada de fogo que apunhalava as santas extáticas.

    E a impressão em meu sonho era que se estávamos
    Assim de negro, assim por fora inteiramente de negro,
    – Dentro de nós, ao contrário, era tudo tão claro e luminoso.

    Era terça-feira gorda. A multidão inumerável
    Burburinhava. Entre clangores de fanfarra
    Passavam préstitos apoteóticos.
    Eram alegorias ingênuas, ao gosto popular, em cores cruas.
    Iam em cima, empoleiradas, mulheres de má vida,
    De peitos enormes – Vênus para caixeiros.
    Figuravam deusas – deusa disto, deusa daquilo, já tontas e seminuas.
    A turba ávida de promiscuidade,
    Acotovelava-se com algazarra,
    Aclamava-as com alarido.
    E, aqui e ali, virgens atiravam-lhe flores.

    Nós caminhávamos de mãos dadas, com solenidade,
    O ar lúgubre, negros, negros…
    Mas dentro em nós era tudo claro e luminoso.
    Nem a alegria estava ali, fora de nós.
    A alegria estava em nós.
    Era dentro de nós que estava a alegria,
    – A profunda, a silenciosa alegria…

    Manuel Bandeira, Carnaval, 1920

  3. Eu havia escrito outro comentário, acho que dançou. Vou repetir: Amanda Lindhout, em “A Casa do Céu” descreve essa caminhada, mas fala em dois dias (4 no total) e fala em índios PAMO, a partir também de Santa Elena de Uairén. Recomendo.

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