Viagem de bicicleta de São Paulo – SP até Piçarras – SC: Dia 6 – 26/12/2013

O dia 26/12/2013 seria o único dia sem pedal na viagem. Seria um dia de descanso e de aproveitar a Ilha do Mel. Estávamos acampados na praia de Brasília, com saída para a Praia do Istmo. Se seguíssemos direto pela segunda, após uma longa caminhada, estaríamos na Fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres. Se fizéssemos uma trilha através de algumas outras praias, chegaríamos à Gruta das Encantadas. Lembro que nossa amiga Júlia tinha comentado tanto sobre a Fortaleza quanto sobre a Gruta, eu só não conseguia lembrar o que ela tinha falado. Decidimos ir primeiro à Gruta, o que acabou se revelando a escolha errada, hehehe.

A trilha para a Gruta das Encantadas.

Na Ilha do Mel existem alguns trapiches onde se pode pegar barcos rumo a outros pontos da Ilha. Nós queríamos conhecer a Ilha, então decidimos seguir a pé. Geralmente tem 2 caminhos, um direto pela areia da praia e outro em trilhas cobertas por sombras, mas é claro que não dá pra fugir sempre do sol. Seguimos pela sombra até a Praia Grande, onde fomos obrigados a andar pela areia e atravessar para a Praia do Miguel pelas pedras. A travessia não é difícil, mas a pedra fica bem quente com o sol ardido desde cedo. É preciso dar uns pulos, esticar a perna pra subir aqui e ali, mas qualquer pessoa que não tenha problemas de mobilidade consegue passar. Tem ainda uma fenda onde nós passamos, mas algumas pessoas mais… volumosas, que seguiam por ali indo e voltando, precisaram ralar a pele na pedra pra conseguir passar.

Na Praia do Miguel, já sentindo o sol torrar, decidimos que dali voltaríamos por uma trilha interna e  provavelmente sombreada, que parecia levar em direção à Praia do Belo (de lá para a Vila do Farol) – estava sinalizada num pequeno folder com um mapa da ilha que tínhamos levado. Dali subimos uma trilha rumo à Praia de Fora, já morrendo de sede e calor. Passamos ao largo da Praia de Fora, por uns trechos meio alagados mas ainda sem sombra e paramos numa bica chamada Bica do Norinho pra nos refrescar. É uma bica bem fajutinha, mas não parecia existir ocupação humana ali pra cima e nós estávamos sedentos, então mandamos ver naquela água mesmo.

Seguindo adiante existe mais uma trilha sob muito sol para alcançar a pequena praia onde está localizada a Gruta das Encantadas. A água do mar em momentos de maré mais cheia entra na gruta e acho que nem deve ser possível entar lá. Mas naquele momento estava tranquilo, embora tudo bem úmido, e nós entramos. É uma formação natural legal, dá umas fotos, mas nada  que valha toda a caminhada que fizemos. Ainda precisávamos voltar, mas antes paramos numa construção ali perto que é uma “Praça de Alimentação”, onde tomamos um açaí e comemos batatas fritas. Não só o nome, mas o preço das coisas ali também remete a um shopping center.

Na volta, ainda na Praia de Fora, víamos o pessoal do Paraglider que tinha saído da Praça de Alimentação para voar. Eles estavam já sobrevoando o morro da trilha de volta à Praia do Miguel. O vento era forte e um deles voava mais baixo e nos deixou curiosos. Não saia do lugar e volta e meia tomava umas rajadas de vento e balançava. Não subia nem descia e lentamente se aproximava do morro, perto de onde passavam fios elétricos. “Esse gosta de emoção”, pensei. Andamos mais um pouco e o cara ainda estava ali. Quando estávamos a meio caminho da subida na trilha, ele tomou outra rajada de vento e caiu, felizmente não chegou nos fios. Se eu fosse o turista ali não pagaria e ficaria bem puto com a situação. Logo depois subiu outro cara da turma do paraglider pela trilha, carregando a pesada mochila de equipamentos de vôo e suando bicas. Nos pediu um pouco de água e não teve cerimônia em secar toda a água da Marcela, que ainda tinha uma longa caminhada de volta.

Na Praia do Miguel vagamos pela beira da vegetação, mas não conseguimos achar a trilha por dentro, provavelmente já foi coberta pelas plantas e caiu em desuso. Voltamos então sob o grande sol negro até a Praia Grande, pulando pelas pedras escaldantes, enquanto em minha mente tocava a introdução de The Hungry Wolf, do X. Já bem cansados, com fome e com sede, conseguimos ali achar uma trilha que vai na sombra de volta à Vila do Farol, onde almoçamos no mesmo PF do dia anterior.

A Fortaleza.

A essa altura eu me toquei que a Julia tinha dito que a Gruta não era nada especial, tarde demais.  Com certeza já tínhamos andado uns 12 KM nessa ida e volta e já eram quase 5h da tarde quando saímos do restaurante. O sol se põe atrás da Fortaleza, então ela logo estaria na sombra. Como era uma longa caminhada e estávamos cansados, o Brian, a Marcela e o Juninho resolveram ficar na Praia do Istmo descansando. Eu fiquei com muita dúvida se valia o esforço de chegar até lá, mas o Afrojapa se animou e eu lembrei do que o meu pai me disse uns anos atrás: “Quando estiver viajando, não deixe de fazer nada nem de conhecer nenhum lugar, você não sabe quando vai voltar ali. Talvez nunca volte” (mais ou menos isso). Então, decidimos ir os dois.

A caminhada pela praia é longa, mas o sol já estava bem ameno e conseguímos chegar à Fortaleza com um pouco de luz do dia ainda disponível, embora ela já estivesse parcialmente na sombra. Incrustada na pedra, a fortificação data do século XVIII e só foi totalmente desativada em meados do século XX. No alto dos muros existem alguns canhões antigos apontados para o mar e a vista é legal, sendo possível ver a Ilha das Peças, a Ilha das Palmas e a do Superaguí. Subimos ainda a trilha do morro da Baleia, atrás da Fortaleza, chegando ao bunker que existe lá em cima. Na verdade é um conjunto de corredores de paredes pedra, sem teto, que dão acesso aos canhões que ficam lá em cima e apontam para o mar. Mesmo nos últimos 50 minutos de luz do dia naquele ponto da ilha, consegui fazer algumas fotos e valeu a pena o último esforço.

Panela velha…
Na volta ao camping, já bem mais cheio de gente que chegava para o ano novo, enquanto o jantar não ficava pronto, consegui finalmente remendar o furo da câmara de ar, usando nada menos que o bom e velho remendo VIPAL (não a estrelinha amarela, mas aquele que vem em rolo e tem que cortar na mão). Old but gold. Era agora ou nunca, já que no dia seguinte voltaríamos ao asfalto rumo a São Francisco do Sul.

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2 pensamentos sobre “Viagem de bicicleta de São Paulo – SP até Piçarras – SC: Dia 6 – 26/12/2013

  1. As fotos, cada vez melhores! Na sequência da Fortaleza, o AfroJapa é o sombra? Ou apenas um minarete projetando-se por trás do muro? Ah, é o sombra, dá pra ver na foto da entrada da Fortaleza….

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